domingo, 20 de novembro de 2011

MILTON SANTOS E O “GLOBALITARISMO”
 

Por: Rosiane Castro

O geógrafo Milton Santos foi um dos poucos pensadores brasileiros realmente preocupado com os grandes problemas em relação à população marginalizada pelo perverso processo de globalização. Ele não era contra a globalização e sim contra o modelo da globalização vigente no mundo atual, o qual era chamado por ele de “globalitarismo”.
O Mundo Global Visto do Lado de Cá, é um documentário que foi produzido pelo cineasta brasileiro Silvio Tendler, onde ele e o geógrafo Milton Santos discutem os problemas da globalização sob a perspectiva das periferias e dos países chamados “em desenvolvimento”.  Silvio traz um cenário em que a globalização mostra toda sua crueldade. Falas e imagens do centro e da periferia evidenciam o abismo existente entre ricos e pobres, revelando o dinamismo do processo do cidadão protagonista dos tempos agonizantes da globalização.
Durante o documentário, Milton se refere com frequência ao termo “globalitarismo”, termo utilizado por ele para expressar o totalitarismo que as nações hegemônicas impõem sobre as camadas populares, seja no âmbito econômico ou social. Segundo o geógrafo, estamos vivendo um segundo momento da globalização, onde se apresenta uma fragmentação dos territórios.
Ele se refere também ao humanismo como sendo o motor inicial da globalização, que é substituído pelo consumo excessivo. Propõe novas maneiras de se combater a informação desfigurada na maioria das vezes pela mídia. Onde a partir destas informações, a realidade dos fatos como por exemplo: o desemprego, a pobreza e até a miséria são vistos como algo normal. O documentário deixa claro que somos manipulados a todo instante pela mídia, de forma que só enxergamos e ouvimos o que é transmitido por ela. Devemos por um ponto final nesta situação, e mudar nossas concepções em relação à sociedade consumista.

Devemos enxergar o próximo como um cidadão que possui necessidades e carências como as nossas. Infelizmente hoje em dia não há espaço para a maioria da população nem se quer para garantir seus itens básicos de sobrevivência.
Hoje não se vê democracia de fato e a cidadania infelizmente está se tornando uma utopia. O que realmente existe é uma falsa democracia convocada a cada quatro anos. Precisamos compreender que a nossa cidadania realmente tem que ser posta em prática a todo o momento. E uma das alternativas para tal prática são os movimentos populares. Apesar destas manifestações não mudarem todo o sistema, mudam situações, o que já é um bom começo. O que devemos ter em mente é que a mudança deve partir de todos nós.
imagem extraída de : http://g1.globo.com/brasil/noticia/2011/10/brasil-tem-protestos-apoiando-iniciativa-mundial-de-indignados.htm



sábado, 19 de novembro de 2011

A importância das HQ`s no processo de Alfabetização

imagem extraída de:http://leonarapiranfrigeri.blogspot.com/2011/05/projeto-historias-em-quadrinhos.html 
Por : Rosiane Castro
A leitura é um importante instrumento para a construção de conhecimentos, ampliação de vocabulário e no desenvolvimento da criatividade e linguagem. A mesma deve ser incentivada desde a infância, para que se torne um hábito prazeroso para a criança.
Vygotsky (2002) aponta falhas nos métodos de ensinar a ler e a escrever, os quais enfatizam a forma mecânica, que requer treinamento para desenvolver uma habilidade técnica. Para motivar as crianças a vencerem os obstáculos do domínio da leitura e escrita, o professor pode ir além do material didático e atividades tradicionais. O uso de materiais complementares auxilia a manter o interesse durante o processo de aprendizagem. A literatura oferece diversos gêneros que podem ser utilizados nesse processo, desde os livros de fábulas até as histórias em quadrinhos. O importante mesmo é adequar o conteúdo oferecido à idade do público alvo, tornando as atividades mais diversificadas e prazerosas.
Na infância as crianças demonstram grande interesse pela história em quadrinhos e isso se deve à facilidade com que este tipo de literatura atinge a mente infantil. Antes mesmo de frequentarem a escola as crianças se comunicam por meio de desenhos, por isso a importância da imagem como meio de expressão e comunicação.
A história em quadrinhos tem a sua particularidade, a de unir duas formas de expressão: texto e imagem. A mesma surge como alternativa de leitura prazerosa, pois prende a atenção da criança através de sua composição por  aspectos lúdicos, que podem por sua vez ampliar a prática social da criança de forma que ela passe a ter outros objetivos de leitura, como informação e reflexão sobre um determinado tema. Ela traz benefícios a todos os tipos de alunos, desde aquele que está iniciando o processo de leitura até aquele que já lê efetivamente.
Em suma, a história em quadrinhos permite que a criança compreenda o que está escrito através das imagens e textos, atribuindo sentido ao que se está lendo, fazendo com que essa leitura gere novas ideias e construa novos conhecimentos.







sábado, 12 de novembro de 2011

imagem extraída de: mano-par.blogspot.com
Pedagogia e empresa
Parceria que dá certo
Por Aretusa

A revolução industrial e a globalização trouxeram grandes benefícios à humanidade, porém revolucionaram não só o mercado de trabalho e da indústria, mas a sociedade como um todo. Trouxe também grandes problemas sociais, como por exemplo, o desemprego e não só pelo uso excessivo de maquinários que substituem o trabalho do homem, mas também por exigir desse trabalhador que ele se especialize para atender as novas demandas do mercado de trabalho.
Esse fato pôde ser observado na década de 70, quando houve a crescente automação do processo de trabalho e de novas tecnologias e a classe trabalhadora encontrava-se despreparada para o desenvolvimento industrial o que levou o mercado de trabalho a exigir a profissionalização dos trabalhadores para acompanhar as mudanças que ocorriam em conseqüência das transformações tecnológicas.
Em decorrência dessa necessidade de qualificação profissional de diversas áreas, é que a pedagogia empresarial vai atuar, para qualificar e capacitar os trabalhadores para atender as exigências desse mercado moderno e em constante transformação.
O pedagogo acompanhará o desenvolvimento do funcionário, ou seja, o seu desempenho, sugerindo o melhor caminho para ele, uma vez que o pedagogo será um agente provocador de mudança de mentalidade e de cultura, direcionando-o para o caminho que este deverá seguir dentro da empresa, o pedagogo facilitará a percepção do trabalhador em descobrir seu potencial para melhor desempenhar suas funções e fazendo-o entender também que seu trabalho é de suma importância não só para a empresa, mas também para o desenvolvimento do país.
A atuação do pedagogo empresarial é importante, pois cabe a ele a função de elaborar planos e estratégias que favoreça os dois lados, o funcionário que quando motivado produz mais e melhor e a empresa que quando investe na qualificação de seus funcionários obtém maior lucratividade.
Porém o mais importante de tudo, mais importante que qualificação e lucro é ter em mente que uma das funções ímpares da pedagogia é nos ensinar a ter um olhar mais humano em relação ao outro, nos ensinar a nos conhecermos melhor e por conseqüência o outro também, ou seja, o pedagogo deve ter um olhar além do pedagógico, mas também psicológico em relação a esse ser humano que não deve ser visto apenas como objeto que precisa ser moldado para atender aos interesses da empresa, mas também para melhorar sua vida pessoal, para que ele possa se sentir e realmente ser integrado no contexto como um todo dessa sociedade capitalista.
As empresas que tem o pedagogo empresarial como peça chave no desenvolvimento não só estratégico para fins lucrativos, mas para a interação dos funcionários, de uns com os outros, dele com a sociedade, é uma empresa que se preocupa com o ser humano.
Enfim o papel do pedagogo empresarial é focar o pessoal, social e cultural formando no indivíduo uma personalidade crítica, promovendo sua socialização e sua participação na história da humanidade, pois a educação tem essa particularidade de permitir ao mesmo tempo, a individualidade de cada um e a capacidade de participação na vida social, essas são as contribuições da Pedagogia Empresarial, para o pedagogo e para a sociedade como um todo.
 
 
Música: Companheiro
Por Aretusa

Letra: José Moreira Coelho e Maria Alice Martins
Melodia: José Moreira Coelho e Parcival Moreira Coelho

Meu companheiro
Nossa vida é muito dura,
Gente que não tem leitura
Sofre tanto que faz dó
Tem tanta gente
Por esse Brasil afora
A espera de melhora
E cada vez fica pior ...

Meu companheiro
O Brasil só vai pra frente
Quando um dia toda a gente
Souber ler e escrever
Por isso mesmo
Resolve meu companheiro
Ande logo vem ligeiro
Estudar e aprender...

O velho Pedro
A Maria, o Vicente,
A mulher do seu Clemente,
A Tereza e o Valdemar
Na caminhada
Não existe distinção
De cor e nem religião
Nem do jeito de trajar...

Nosso Brasil
Que se diz independente
Um país que vai pra frente
Passando o povo pra trás
Os poderosos
Pegando nossa riqueza
Entregando às empresas
Prás multinacionais

            A letra da música nos mostra o quão importante é a educação para o desenvolvimento do país e para a formação de cidadãos críticos e independentes, no sentido de poderem fazer suas escolhas e de maneira acertada. Também nos mostra que nunca é tarde para aprender e o quanto a educação é inclusiva e interagente, quando diz “ Na caminhada,  Não existe distinção, De cor e nem religião, Nem do jeito de trajar...”
Há possibilidades infinitas de integração das pessoas no aprender ler e escrever, basta querermos que o processo avance para além das conquistas individuais e se torne o querer de cada um para todos.


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS


imagem extraída de : pedagogiaaopedaletra.com

RELATO DE EX - ALUNA MARIA VANDERLY ALVES

POR: ROSIANE CASTRO

         Vanderly diz que veio com o esposo e seu filho de um ano em 1992 do Ceará para São Paulo. Estudou até a 4º série em Fortaleza.
Apesar de seu esposo dizer que ela não precisava trabalhar, Vanderly tinha um grande desejo de cuidar de idosos e principalmente de ter sua independência financeira. Por ser muito religiosa, tinha amizade com o padre da igreja que frequentava, e o mesmo lhe ofereceu trabalho numa casa de repouso. Ao chegar lá, a diretora da instituição disse que era obrigatória a conclusão do ensino médio (no mínimo) para que fosse contratada. Segundo Vanderly: “Naquele momento me senti uma inútil. Pensei comigo mesma, eu queria tanto ficar perto das avózinhas e dos avôzinhos. Meu sonho é esse, e vou correr atrás do meu objetivo”. A ex-aluna diz que o próprio padre que lhe falou sobre o trabalho, lhe apresentou a EJA. Ela ficou muito interessada e decidiu voltar a estudar.
Vanderly diz que só tem boas lembranças sobre a escola em que estudou. Segundo ela: “A escola me proporcionou momentos maravilhosos que não esquecerei nunca mais. Foi como se me ensinassem a andar. Fiz amizades que levarei para o resto da vida”.
Questiono Vanderly sobre como era a relação entre professor-aluno e a relação entre alunos. A mesma diz: ”Os professores estavam dispostos a nos ajudar o tempo todo. Faziam com que a aula fosse dinâmica, uma aula nunca era igual à outra. Traziam assuntos novos, que trabalhavam nosso cotidiano. Os professores nos colocavam em duplas, as quais chamavam de duplas produtivas. Eu sempre sentava com alguém mais jovem. Apesar de na minha classe ter alunos de idades super distantes, desde um rapaz com 20 anos até o mais velho que tinha 70, os alunos mais jovens sempre nos ajudavam e os professores faziam com que houvesse uma interação legal entre a gente. Éramos uma verdadeira família”. Vanderly evidencia ainda que uma das frases que mais lhe emocionou, foi um dia em que uma senhora de 65 anos lhe disse: “Estou tão feliz, agora já sei assinar o meu nome”.
Segundo Vanderly, voltar a estudar foi uma realização de um sonho. “Hoje realmente me sinto inclusa na sociedade! Tenho mais facilidade em conversar com meu filho sobre assuntos da atualidade. E até hoje falo com meus professores e amigos pela internet.”
Hoje aos 46 anos, Vanderly é técnica de enfermagem e está cursando nível superior. Segundo ela: “Quero ser enfermeira, para continuar cuidando dos meus velhinhos”.

           


















domingo, 6 de novembro de 2011

"ALERTA EM NOSSAS MESAS"

imagem retirada de:http://portalyah.com/eventos/o-veneno-esta-na-mesa/


Por: Deise Duque


Desde 2008 o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos, sendo que cada brasileiro consome em media 5,2 litros de agrotóxicos por ano.
Os agrotóxicos estão sendo permitidos em nome da produtividade, e claro do lucro. Como será que os alimentos chegam a nossa mesa?
Sabendo que agrotóxico MATA, foi proibido no Brasil à venda de um agrotóxico chamado METAMIDOFÓS, que é um principio ativo usado nas lavouras de soja, batata, feijão, tomate, trigo e algodão. Pode atingir o sistema nervoso, causando lapso de memória principalmente nas crianças,e o sistema reprodutivo feminino pode ser comprometido na formação de um embrião.
Segundo a ANVISA, no ano de 2009, das 3130 amostras de alimentos coletados em 26 estados, 29% apresentaram resultados insatisfatórios, estavam acima do agrotóxico permitido.
E por incrível que pareça nos últimos anos os alimentos com índice maior de agrotóxicos são os que fazem parte dos nossos alimentos diários como: beterraba, tomate, alface, mamão, abacaxi, couve e morango.
E como fica a saúde humana e natural?
No Brasil, há incentivo fiscal para quem utiliza agrotóxicos, gerando uma contradição entre a saúde da população e a economia do país, com privilégio da segunda opção.  
A idéia que o filme nos passa é a de mostrar à população como estamos nos alimentando mal, por conta de um modelo agrário baseado no "agronegócio."      
Quem tiver mais interesse em saber, o quanto consumimos de agrotóxicos, assista esse documentário é de se assustar, é preciso rever os conceitos. O que é mais importante, a saúde humana ou o lucro?

          

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Alfabetização e Letramento

imagem extraída de: contatonalua.blogspot.com
Por: Rosiane Castro 

“No Brasil ainda existem muitas crianças que chegam ao último ano do ensino básico e ainda não sabem ler...”
A alfabetização é o processo pelo qual o indivíduo adquire o domínio do código da escrita. Letramento é o desenvolvimento da capacidade de escrever, ler, interpretar para atingir diferentes objetivos, ou seja o uso com autonomia da linguagem e escrita.
No Brasil ainda existem muitas crianças que chegam ao ultimo ano do ensino básico e ainda não sabem ler. Esse fato é constatado através de uma pesquisa feita pelo jornal Fantástico em 27 capitais brasileiras onde a maioria dos alunos não compreendeu nada ou compreenderam apenas frases simples de perguntas de raciocínio. São dados extremamente alarmantes para a sociedade.
Hoje as crianças não aprendem mais por meio de sistematização (B+A=BA), mas de forma prática, porque ser alfabetizado e letrado é uma forma de sobreviver em sociedade, podemos chamar de conquista da cidadania.
Conforme a autora Magda B. Soares afirma, houve uma mudança na maneira de considerar o significado do acesso à leitura e à escrita em nosso país, um fato que sinaliza bem essa mudança é a alteração do critério utilizado pelo Censo para verificar o número de analfabetos e de alfabetizados. Durante muito tempo, considerava-se analfabeto o indivíduo incapaz de escrever o próprio nome, nas últimas décadas é a resposta à pergunta “sabe ler e escrever um bilhete simples?” que define se o indivíduo é analfabeto ou alfabetizado. Da verificação de apenas habilidade de codificar o próprio nome, passou-se à verificação da capacidade de usar a leitura e a escrita para uma prática social ( ler ou escrever um “bilhete simples”). Mais que a verificação da presença da habilidade de codificar em língua escrita, isto é, já se evidencia a tentativa de avaliação do nível de letramento, e não apenas a avaliação da presença ou ausência do ler e escrever.
Antigamente um analfabeto bastava entender o que lhe diziam por meio de frases curtas e claras, onde assim (de certa maneira) conseguia viver em sociedade. Já na atualidade com as novas tecnologias um analfabeto não possui uma vida totalmente social, ele depende de alguém para fazer coisas simples como, por exemplo, pagar uma conta em caixa eletrônico. Outro exemplo são as empresas que contratam apenas profissionais que enviem seus currículos através de e-mail ou pelo próprio site da empresa. Durante a contratação ainda é solicitado que os candidatos façam provas escritas e orais, para que desta forma avaliem sua dicção e seus conhecimentos de mundo.
Segundo a educadora Vera Masagão, ao evidenciar que não é a aprendizagem da linguagem escrita em si que transforma a pessoa, mas sim os usos que elas fazem desse instrumento, os estudos sobre o letramento abrem novas perspectivas para a reflexão crítica sobre o papel da escola e também para o desenvolvimento de práticas pedagógicas que respondam com mais eficiência as demandas sociais relativas ao letramento.
Pode se citar então que  uma prática pedagógica a ser seguida desde a pré-escola por exemplo, é a utilização da escrita em sala, correspondendo às formas pelas quais é utilizada nas práticas sociais. Desta forma se “alfabetiza  letrando”, fazendo assim com que haja articulação entre os dois processos de aprendizagem.